Pesquisa revela que seis em cada dez brasileiras não sabem da relação entre câncer de colo do útero e HPV
O levantamento entrevistou 831 mulheres de 30 a 45 anos (das cinco regiões do Brasil) e revelou que 57% das brasileiras desconhecem que o HPV é o principal agente causador do câncer de colo do útero.
A Campanha Setembro em Flor alerta para a importância da prevenção, vacina e informação correta sobre cânceres ginecológicos.
Na véspera do mês dedicado à conscientização sobre os tumores ginecológicos, a campanha Setembro em Flor, idealizada pelo Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA), promoveu na última terça-feira (26) um evento que reuniu especialistas, pacientes e representantes da saúde para debater os resultados de uma pesquisa inédita e ressaltar a urgência da prevenção, vacinação e informação correta sobre os cânceres ginecológicos.
O encontro teve como base os dados revelados pela pesquisa ‘Percepção das Brasileiras sobre Tumores Ginecológicos e Práticas de Prevenção’, desenvolvida pelo Grupo EVA em parceria com o Instituto Locomotiva. O levantamento entrevistou 831 mulheres de 30 a 45 anos (das cinco regiões do Brasil) e revelou que 57% das brasileiras desconhecem que o HPV é o principal agente causador do câncer de colo do útero. Além disso, 82% não sabem informações essenciais sobre o vírus responsável por 99% dos casos da doença — um dos tipos de câncer que mais mata mulheres no país, com uma média de 19 óbitos por dia, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA).
"A pesquisa mostrou a necessidade do acesso à informação correta, de origem científica e de fontes primárias", destacou Andréa Gadelha, ginecologista e presidente do Grupo EVA. "No caso do câncer de colo do útero, é essencial que se entenda a relação com o HPV e como a vacina pode ser um mecanismo preventivo fundamental. Outro alerta importante é a necessidade de se fazer um check-up anual para exames ginecológicos, como o papanicolau ou o teste do DNA-HPV", reforçou.
Durante o evento, o ginecologista Agnaldo Lopes também pontuou a gravidade do desconhecimento sobre o HPV: “Temos um estudo recente no Brasil que mostra que cerca de 54% da população feminina sexualmente ativa é portadora do HPV. A melhor forma de mudar esse cenário é por meio do rastreamento e da vacinação. O teste de DNA-HPV, por exemplo, permite rastreamento com mais segurança a cada cinco anos. Rastreamento e vacina precisam caminhar juntos”, disse.
O médico explicou ainda que tanto o exame papanicolau quanto o teste de DNA-HPV são confiáveis e eficientes no rastreamento – o teste de DNA-HPV tem 95% de chance de diagnóstico do vírus, enquanto o papanicolau tem 70%.
Vale destacar que a vacina tetravalente – que combate quatro tipos de HPV – está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) para meninos e meninas de 09 a 14 anos. A expectativa é que também esteja disponível para o público de até 19 anos até o final de 2025. Já o imunizante nonavalente – que combate nove tipos de HPV – está disponível apenas na rede privada.
O depoimento da atriz e influenciadora Aline Campos, que enfrentou uma lesão pré-cancerígena, emocionou o público. “Minha médica me passou o diagnóstico com muito cuidado e empatia, indicou a vacina e a cirurgia. Me senti segura desde o início, sem culpa. Hoje vejo que isso aconteceu para que eu me tornasse voz ativa e pudesse alertar outras pessoas sobre a importância da prevenção”, declarou.
Desinformação ainda é um grande desafio
A pesquisa também trouxe dados preocupantes sobre o impacto das fake news: 49% das entrevistadas relataram ter dúvidas ou ter descoberto que acreditavam em informações falsas sobre HPV e câncer de colo do útero. Apenas 38% afirmam conhecer bem a vacina contra o HPV, embora 87% reconheçam sua importância. Quando se trata de exames, 29% das mulheres de 18 a 45 anos não sabem a utilidade do papanicolau e 49% não conhecem o exame de DNA-HPV.
Menos da metade das participantes realizaram os exames ginecológicos de rotina no último ano. Apenas 37% fizeram papanicolau ou ultrassom transvaginal, e somente 13% fizeram o teste de DNA-HPV nesse período.
Setembro em Flor: um mês para florescer informação
Desde 2021, o Grupo EVA promove a campanha Setembro em Flor, um movimento de alcance nacional que tem como símbolo uma flor cujas pétalas representam os cinco principais tipos de câncer ginecológico: colo do útero, endométrio, ovário, vulva e vagina. A flor, símbolo de feminilidade, delicadeza e vida, carrega também a missão de disseminar informações corretas, combater a desinformação e incentivar o cuidado integral da saúde da mulher.
As ações da campanha incluem lives, workshops, publicações informativas, parcerias com instituições de saúde e eventos públicos. No dia 16 de setembro, o grupo realiza novamente, em Brasília (DF), o Fórum de Conscientização do Câncer Ginecológico e Busca por Mudanças de Políticas Públicas, no Salão Nobre da Câmara dos Deputados. O objetivo é reunir sociedade civil e poder público para discutir estratégias, obstáculos e avanços necessários para melhorar a prevenção e o cuidado com esses tipos de câncer.
Sobre o Grupo EVA
O Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA) é uma entidade dedicada à educação, pesquisa e prevenção dos cânceres ginecológicos. Atua na promoção do conhecimento técnico e científico, na defesa dos direitos das pacientes e no incentivo ao diagnóstico precoce e tratamento humanizado. O grupo também mantém parcerias com outras organizações nacionais e internacionais que compartilham da mesma missão.
Fonte: Caras
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